Não foi a Lupo que saiu do Brasil. Foi o Brasil que expulsou a Lupo.
A frase pode soar dramática, até exagerada, mas basta olhar os números para perceber que ela descreve, com precisão desconfortável, a realidade enfrentada por muitas indústrias brasileiras.
Nos últimos dias, viralizou a fala da CEO da Lupo, uma empresa centenária, fundada em 1921, que cresceu, reinvestiu, gerou empregos e seguiu fiel ao país por mais de um século. Mesmo assim, não resistiu ao ambiente que, para muitos empresários, deixou de ser desafiador e passou a ser inviável.
E qual foi o motivo da mudança?
Segundo a própria executiva, quatro fatores pesaram de forma decisiva:
- Carga tributária elevada
- Burocracia complexa
- Energia cara
- Custo de produção incompatível com a concorrência internacional
A declaração dela resume a situação com precisão:
“O Brasil nos empurrou para o Paraguai.”
E os números comprovam:
- Produzir no Paraguai é cerca de 28% mais barato.
- A mão de obra pode custar até 70% menos.
- O país adota um sistema simples, direto e competitivo: 10–10–10 (10% de IRPF; 10% de IRPJ; 10% de IVA)
Enquanto isso, o Brasil opera em um cenário radicalmente distinto:
- IRPF até 27,5%
- IRPJ + CSLL chegando a 34%
- Tributos indiretos que, somados, podem ultrapassar 40%
Esse contraste tem nome: assimetria tributária competitiva.
E ela corrói, silenciosamente, a base industrial do país.
Além disso, o Paraguai oferece um estímulo poderoso para operações industriais: a Lei Maquila, que permite importar insumos e máquinas com suspensão de impostos e tributar a exportação do produto final em apenas 1% sobre o valor agregado. Para quem produz, isso não é um benefício luxuoso, é sobrevivência.
Quem perde quando uma empresa como a Lupo vai embora?
A resposta é simples: todos nós.
- Empregos que deixam de existir
- Arrecadação que desaparece
- Investimentos que não se renovam
- Cadeias produtivas inteiras que enfraquecem
E vale lembrar: a Lupo não é um caso isolado. Vários setores vêm adotando estratégias semelhantes, deslocando parte ou toda a sua produção para países vizinhos. O Brasil, pouco a pouco, torna-se um país que exporta empresas, não produtos.
A reflexão necessária
Enquanto o ambiente regulatório e tributário continuar tratando quem produz, investe e emprega como um obstáculo e não como parceiro, será difícil reverter essa tendência.
E o custo dessa perda não aparece de imediato: manifesta-se em empregos que não surgem, em inovação que não floresce e em competitividade que se dissolve.
- O país não perde apenas plantas industriais.
- Perde riqueza.
- Perde produtividade.
- Perde futuro.
