{"id":558,"date":"2025-02-20T15:50:00","date_gmt":"2025-02-20T18:50:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tafelliritz.com.br\/blog\/?p=558"},"modified":"2025-07-22T11:44:03","modified_gmt":"2025-07-22T14:44:03","slug":"a-responsabilidade-dos-ex-socios-por-dividas-de-empresa-extinta-decisao-do-tjsp-reforca-sucessao-processual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tafelliritz.com.br\/blog\/a-responsabilidade-dos-ex-socios-por-dividas-de-empresa-extinta-decisao-do-tjsp-reforca-sucessao-processual\/","title":{"rendered":"A responsabilidade dos ex-s\u00f3cios por d\u00edvidas de empresa extinta: decis\u00e3o do TJSP refor\u00e7a sucess\u00e3o processual"},"content":{"rendered":"\n<p>A 14\u00aa C\u00e2mara de Direito Privado do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo (TJSP) recentemente reafirmou a responsabilidade dos ex-s\u00f3cios de uma empresa dissolvida irregularmente. O caso envolveu uma empresa que foi encerrada voluntariamente, mas sem a devida quita\u00e7\u00e3o de suas obriga\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Como consequ\u00eancia, os antigos s\u00f3cios foram inclu\u00eddos no polo passivo de uma a\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a, responsabilizando-se pessoalmente pelo pagamento da d\u00edvida.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Essa decis\u00e3o refor\u00e7a um importante princ\u00edpio do direito societ\u00e1rio:<\/strong>&nbsp;a necessidade de um encerramento regular das atividades empresariais para evitar a transfer\u00eancia de passivos aos s\u00f3cios. A seguir, analisamos os fundamentos dessa decis\u00e3o e as li\u00e7\u00f5es que empres\u00e1rios podem tirar dela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-orange-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-c33091f26b35cd695119b8f4e57b9805\"><strong>O caso: encerramento irregular e sucess\u00e3o processual<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A a\u00e7\u00e3o teve origem em um cumprimento de senten\u00e7a movido por um credor da empresa, para receber um montante de aproximadamente R$ 140 mil. No entanto, a empresa foi extinta em 2020, sem que houvesse o pagamento do d\u00e9bito reconhecido judicialmente. Diante disso, o credor pediu a inclus\u00e3o dos dois ex-s\u00f3cios da empresa na a\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00e3o, sob o argumento de que, com a extin\u00e7\u00e3o irregular da empresa, caberia a eles arcar com a obriga\u00e7\u00e3o. O ju\u00edzo de primeiro grau aceitou o pedido e determinou a inclus\u00e3o dos ex-s\u00f3cios, decis\u00e3o essa que foi mantida pelo TJSP.<\/p>\n\n\n\n<p>O relator do caso, desembargador C\u00e9sar Zalaf, destacou que o encerramento de uma pessoa jur\u00eddica equivale \u00e0 &#8220;morte da pessoa natural&#8221;, nos termos do artigo 110 do C\u00f3digo de Processo Civil (CPC). Isso significa que, quando uma empresa deixa de existir sem a devida quita\u00e7\u00e3o de seus passivos, seus s\u00f3cios podem ser chamados a responder diretamente pelos d\u00e9bitos remanescentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-orange-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-aea85437165203b0ddee6866b74ded50\"><strong>Base legal para a responsabiliza\u00e7\u00e3o dos ex-s\u00f3cios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o do TJSP baseou-se em dois dispositivos essenciais do ordenamento jur\u00eddico brasileiro:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1. Artigo 110 do CPC<\/strong>&nbsp;\u2013 determina que, nos casos de extin\u00e7\u00e3o de uma pessoa jur\u00eddica, a sucess\u00e3o processual pode ocorrer, permitindo que os s\u00f3cios sejam inclu\u00eddos no polo passivo da execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2. Artigo 1.080 do C\u00f3digo Civil<\/strong>&nbsp;\u2013 estabelece que delibera\u00e7\u00f5es societ\u00e1rias que contrariem a lei ou o contrato social podem gerar responsabilidade ilimitada para os s\u00f3cios que as aprovaram.<\/p>\n\n\n\n<p>O Tribunal entendeu que a dissolu\u00e7\u00e3o da empresa foi realizada sem a observ\u00e2ncia dos procedimentos legais necess\u00e1rios, uma vez que: \u2022 N\u00e3o houve nomea\u00e7\u00e3o de liquidante para administrar a extin\u00e7\u00e3o da sociedade;<br>\u2022 O passivo da empresa n\u00e3o foi devidamente quitado antes do encerramento;<br>\u2022 A simples baixa na Junta Comercial n\u00e3o \u00e9 suficiente para configurar a regularidade da extin\u00e7\u00e3o da empresa.<br>Assim, o tribunal concluiu que os s\u00f3cios&nbsp;<strong>deliberaram pela dissolu\u00e7\u00e3o da empresa sem respeitar o devido processo legal<\/strong>, o que os torna pessoalmente respons\u00e1veis pelos d\u00e9bitos pendentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-orange-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-f741f9c9d73a8c4e50c70f6236ef8617\"><strong>Consequ\u00eancias para empres\u00e1rios e s\u00f3cios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Essa decis\u00e3o do TJSP refor\u00e7a a import\u00e2ncia de um encerramento formal e regular das atividades empresariais para evitar riscos futuros.<\/p>\n\n\n\n<p>Empres\u00e1rios devem estar atentos aos seguintes pontos ao dissolver uma empresa:<br>\u2022&nbsp;<strong>Regularizar passivos antes do encerramento<\/strong>&nbsp;\u2013 d\u00edvidas trabalhistas, fiscais e contratuais devem ser quitadas antes da extin\u00e7\u00e3o formal da empresa.<br>\u2022&nbsp;<strong>Nomea\u00e7\u00e3o de liquidante<\/strong>&nbsp;\u2013 em caso de liquida\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria, um liquidante deve ser nomeado para garantir o cumprimento de todas as obriga\u00e7\u00f5es da empresa.<br>\u2022&nbsp;<strong>Registro adequado<\/strong>&nbsp;\u2013 a simples baixa na Junta Comercial n\u00e3o basta para evitar a responsabiliza\u00e7\u00e3o dos s\u00f3cios.<br>\u2022&nbsp;<strong>Acompanhamento jur\u00eddico<\/strong>&nbsp;\u2013 a assessoria de um advogado especializado em direito societ\u00e1rio \u00e9 fundamental para garantir um encerramento seguro e conforme a legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-orange-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-102be5d0f12e553e30888568bfd9f5e8\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O caso julgado pelo TJSP reafirma um entendimento cada vez mais consolidado na jurisprud\u00eancia:&nbsp;<strong>o tipo societ\u00e1rio n\u00e3o pode ser usado como um escudo para inadimpl\u00eancia<\/strong>. Se uma empresa \u00e9 dissolvida de forma irregular, seus s\u00f3cios podem ser responsabilizados ilimitadamente pelos d\u00e9bitos remanescentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Empres\u00e1rios que desejam encerrar suas atividades devem garantir que todos os tr\u00e2mites legais sejam seguidos corretamente para evitar surpresas desagrad\u00e1veis no futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Para entender como proteger seu patrim\u00f4nio e realizar um encerramento seguro de sua empresa, entre em contato com o nosso time societ\u00e1rio.&nbsp;<strong>A equipe do Tafelli Ritz Advogados est\u00e1 \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para tratar deste assunto e discutir estes pontos relevantes.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A 14\u00aa C\u00e2mara de Direito Privado do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo (TJSP) recentemente reafirmou a responsabilidade dos ex-s\u00f3cios de uma empresa dissolvida irregularmente. 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