{"id":1747,"date":"2026-02-20T14:06:12","date_gmt":"2026-02-20T17:06:12","guid":{"rendered":"https:\/\/tafelliritz.com.br\/blog\/?p=1747"},"modified":"2026-02-20T14:08:05","modified_gmt":"2026-02-20T17:08:05","slug":"stj-valida-margem-zero-na-comercializacao-de-medicamentos-por-hospitais-impactos-do-aresp-1-708-364-na-assistencia-a-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tafelliritz.com.br\/blog\/stj-valida-margem-zero-na-comercializacao-de-medicamentos-por-hospitais-impactos-do-aresp-1-708-364-na-assistencia-a-saude\/","title":{"rendered":"STJ valida margem zero na comercializa\u00e7\u00e3o de medicamentos por hospitais: impactos do AREsp 1.708.364 na assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade"},"content":{"rendered":"\n<p>No julgamento do <strong>AREsp 1.708.364<\/strong>, a 1\u00aa Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) firmou importante entendimento acerca da validade da Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 2\/2018 da C\u00e2mara de Regula\u00e7\u00e3o do Mercado de Medicamentos (CMED), que estabeleceu <strong>margem zero<\/strong> na comercializa\u00e7\u00e3o de medicamentos utilizados como <strong>insumos hospitalares<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o tem impactos relevantes para hospitais p\u00fablicos, privados e filantr\u00f3picos, bem como para a regula\u00e7\u00e3o do mercado de medicamentos no contexto da assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>A Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 2\/2018 da CMED fixou que os medicamentos utilizados por hospitais <strong>como parte da presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os assistenciais<\/strong> devem ser comercializados <strong>sem margem de lucro<\/strong>, ou seja, com <strong>margem zero<\/strong>, afastando a possibilidade de cobran\u00e7a adicional sobre esses insumos.<\/p>\n\n\n\n<p>A norma tem como objetivo controlar distor\u00e7\u00f5es de mercado, evitar a mercantiliza\u00e7\u00e3o indevida de medicamentos hospitalares e assegurar maior transpar\u00eancia na forma\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os no setor da sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-orange-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-3752239ffa6ded2d219bb8967e90f941\"><strong>A controv\u00e9rsia levada ao STJ<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No caso analisado, a <strong>Federa\u00e7\u00e3o das Santas Casas e Hospitais Beneficentes, Religiosos e Filantr\u00f3picos do Estado do Rio Grande do Sul<\/strong>, juntamente com o <strong>Sindicato dos Hospitais Beneficentes, Religiosos e Filantr\u00f3picos do Estado do RS<\/strong>, questionaram a legalidade da resolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>As entidades sustentaram, em s\u00edntese, que:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>A <strong>Lei n\u00ba 10.742\/2003<\/strong> n\u00e3o autorizaria a fixa\u00e7\u00e3o de <strong>margem zero<\/strong>, mas apenas diretrizes gerais de regula\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os;<\/li>\n\n\n\n<li>A CMED teria <strong>extrapolado sua compet\u00eancia regulamentar<\/strong>;<\/li>\n\n\n\n<li>Haveria viola\u00e7\u00e3o aos princ\u00edpios da <strong>livre iniciativa<\/strong> e do <strong>equil\u00edbrio econ\u00f4mico-financeiro<\/strong>, especialmente para hospitais filantr\u00f3picos que atendem majoritariamente pelo <strong>SUS<\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-orange-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-09f5e931868259c9d2787dbd215560ec\"><strong>O entendimento do STJ no AREsp 1.708.364<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Primeira Turma do STJ rejeitou os argumentos das entidades hospitalares e entendeu que:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>A <strong>Resolu\u00e7\u00e3o CMED n\u00ba 2\/2018 \u00e9 v\u00e1lida e legal<\/strong>;<\/li>\n\n\n\n<li>O ato normativo <strong>n\u00e3o inova a ordem jur\u00eddica<\/strong>, mas <strong>materializa o exerc\u00edcio da compet\u00eancia regulamentar<\/strong> conferida pela <strong>Lei n\u00ba 10.742\/2003<\/strong>;<\/li>\n\n\n\n<li>A CMED atuou dentro de sua fun\u00e7\u00e3o de <strong>controle do mercado de medicamentos<\/strong>, limitando-se a disciplinar a forma de comercializa\u00e7\u00e3o;<\/li>\n\n\n\n<li>A fixa\u00e7\u00e3o de <strong>margem zero<\/strong> n\u00e3o configura afronta \u00e0 livre iniciativa, pois os medicamentos, nesse contexto, <strong>n\u00e3o s\u00e3o mercadoria aut\u00f4noma<\/strong>, mas <strong>insumos vinculados \u00e0 presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o de sa\u00fade<\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Para o STJ, permitir margem de lucro na venda de medicamentos hospitalares poderia desvirtuar a finalidade da assist\u00eancia m\u00e9dica, transformando o insumo essencial em fonte de lucro dissociada do servi\u00e7o prestado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-orange-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-33f4732f4260c8782314f0c00163662e\"><strong>Impactos pr\u00e1ticos da decis\u00e3o e reflexos na judicializa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o proferida pelo STJ consolida um entendimento de grande relev\u00e2ncia para o setor da sa\u00fade, ao firmar par\u00e2metros claros sobre a comercializa\u00e7\u00e3o de medicamentos utilizados no ambiente hospitalar.<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista pr\u00e1tico, a decis\u00e3o estabelece que <strong>n\u00e3o \u00e9 leg\u00edtima a aplica\u00e7\u00e3o de margem de lucro sobre medicamentos empregados diretamente na assist\u00eancia m\u00e9dica, <\/strong>refor\u00e7ando o papel do Estado na regula\u00e7\u00e3o do mercado farmac\u00eautico e afirmando a preval\u00eancia da fun\u00e7\u00e3o assistencial da sa\u00fade sobre a l\u00f3gica meramente mercantil. O precedente impacta diretamente debates sobre <strong>custos hospitalares, faturamento, auditorias e compliance regulat\u00f3rio.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Embora sens\u00edvel para <strong>hospitais filantr\u00f3picos<\/strong>, especialmente diante do subfinanciamento do SUS, o STJ foi claro ao afirmar que eventuais dificuldades econ\u00f4micas n\u00e3o afastam a validade da norma regulat\u00f3ria, devendo tais quest\u00f5es ser enfrentadas por meio de pol\u00edticas p\u00fablicas e revis\u00e3o contratual.<\/p>\n\n\n\n<p>No campo <strong>da judicializa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade<\/strong>, o entendimento projeta reflexos relevantes. Em a\u00e7\u00f5es contra planos de sa\u00fade, fortalece a tese de que o custo dos medicamentos <strong>j\u00e1 integra o tratamento hospitalar<\/strong>, afastando cobran\u00e7as destacadas ou infladas de insumos essenciais. Nas demandas envolvendo o SUS, refor\u00e7a a necessidade de racionaliza\u00e7\u00e3o dos custos, transpar\u00eancia na composi\u00e7\u00e3o dos valores e atua\u00e7\u00e3o do Judici\u00e1rio na conten\u00e7\u00e3o de distor\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias. Por fim, em lit\u00edgios entre hospitais e operadoras, o precedente passa a servir <strong>como par\u00e2metro jur\u00eddico para auditorias, negocia\u00e7\u00f5es contratuais e disputas sobre faturamento hospitalar.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Assim, o julgamento do AREsp 1.708.364\/STJ consolida um marco relevante no <strong>Direito da Sa\u00fade e no Direito Regulat\u00f3rio<\/strong>, ao afirmar que medicamentos hospitalares, enquanto insumos da assist\u00eancia m\u00e9dica, <strong>n\u00e3o podem ser utilizados como fonte de lucro direto<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o impacta a judicializa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, imp\u00f5e maior racionalidade aos custos hospitalares e refor\u00e7a a necessidade de atua\u00e7\u00e3o jur\u00eddica especializada em um setor cada vez mais regulado e litigioso.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Hospitais, operadoras ou pacientes enfrentando disputas sobre custos hospitalares ou fornecimento de medicamentos? <\/strong>A orienta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica adequada \u00e9 essencial para reduzir riscos e garantir seguran\u00e7a jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"647\" src=\"https:\/\/tafelliritz.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/site-TRA-7-1024x647.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1603\" style=\"width:522px\" srcset=\"https:\/\/tafelliritz.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/site-TRA-7-1024x647.png 1024w, https:\/\/tafelliritz.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/site-TRA-7-300x190.png 300w, https:\/\/tafelliritz.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/site-TRA-7-768x485.png 768w, https:\/\/tafelliritz.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/site-TRA-7-1536x971.png 1536w, https:\/\/tafelliritz.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/site-TRA-7-2048x1294.png 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No julgamento do AREsp 1.708.364, a 1\u00aa Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) firmou importante entendimento acerca da validade da Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 2\/2018 da C\u00e2mara de Regula\u00e7\u00e3o do Mercado de Medicamentos (CMED), que estabeleceu margem zero na comercializa\u00e7\u00e3o de medicamentos utilizados como insumos hospitalares. 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