{"id":1717,"date":"2026-02-09T10:28:00","date_gmt":"2026-02-09T13:28:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tafelliritz.com.br\/blog\/?p=1717"},"modified":"2026-02-09T11:29:20","modified_gmt":"2026-02-09T14:29:20","slug":"plp-no-05-2026-e-o-retorno-do-debate-sobre-o-imposto-sobre-grandes-fortunas-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tafelliritz.com.br\/blog\/plp-no-05-2026-e-o-retorno-do-debate-sobre-o-imposto-sobre-grandes-fortunas-no-brasil\/","title":{"rendered":"PLP n\u00ba 05\/2026 e o retorno do debate sobre o Imposto sobre Grandes Fortunas no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p>A apresenta\u00e7\u00e3o do <strong>Projeto de Lei Complementar n\u00ba 05\/2026<\/strong> trouxe novamente \u00e0 pauta do Congresso Nacional um tema recorrente, e sempre sens\u00edvel, no sistema tribut\u00e1rio brasileiro: a <strong>institui\u00e7\u00e3o do Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF)<\/strong>. Previsto expressamente na Constitui\u00e7\u00e3o Federal desde 1988, no art. 153, inciso VII, o imposto jamais foi regulamentado, apesar de sucessivas tentativas legislativas ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-orange-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-45c96710d6add1ebb6ac9b65ae079731\"><strong>O que prop\u00f5e o PLP n\u00ba 05\/2026?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Protocolado em <strong>2 de janeiro de 2026<\/strong>, o projeto busca finalmente dar concretude ao comando constitucional, estabelecendo regras claras para a incid\u00eancia, base de c\u00e1lculo, contribuintes e al\u00edquotas do IGF.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o texto, o imposto incidiria sobre a <strong>titularidade de bens e direitos cujo valor total ultrapasse R$ 10 milh\u00f5es<\/strong>, apurado anualmente em <strong>1\u00ba de janeiro<\/strong>. Um ponto relevante \u00e9 que a base de c\u00e1lculo corresponderia ao <strong>patrim\u00f4nio l\u00edquido<\/strong>, permitindo a dedu\u00e7\u00e3o de <strong>d\u00edvidas e \u00f4nus reais<\/strong>, o que afasta, ao menos em tese, a tributa\u00e7\u00e3o sobre riqueza meramente nominal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-orange-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-7b251e3a63f0acc12419fbb691ef04b6\"><strong>Crit\u00e9rios de avalia\u00e7\u00e3o dos bens e direitos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O projeto dedica aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0 forma de apura\u00e7\u00e3o do valor dos ativos, adotando crit\u00e9rios distintos conforme a natureza do bem:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>A\u00e7\u00f5es e quotas negociadas em mercado organizado<\/strong>: avalia\u00e7\u00e3o pela cota\u00e7\u00e3o de fechamento do \u00faltimo dia \u00fatil do exerc\u00edcio anterior;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Participa\u00e7\u00f5es em sociedades n\u00e3o negociadas<\/strong>: apura\u00e7\u00e3o com base no valor de mercado dos bens que comp\u00f5em o patrim\u00f4nio l\u00edquido da empresa;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Im\u00f3veis<\/strong>: considerados pelo valor de refer\u00eancia;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Bens m\u00f3veis de elevado valor<\/strong> (como joias, metais preciosos e obras de arte): sujeitos a avalia\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Demais bens e direitos<\/strong>: avaliados pelo seu valor de mercado.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Esse detalhamento busca reduzir disputas interpretativas, mas tamb\u00e9m levanta questionamentos pr\u00e1ticos sobre crit\u00e9rios de avalia\u00e7\u00e3o, periodicidade e custos de conformidade para o contribuinte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-orange-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-8aa073d77d9f74b8b6c4f0261c989f68\"><strong>Quem seria contribuinte do IGF?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O PLP n\u00ba 05\/2026 define como contribuintes:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Pessoas f\u00edsicas domiciliadas no Brasil<\/strong>, em rela\u00e7\u00e3o ao seu patrim\u00f4nio global;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Pessoas f\u00edsicas residentes no exterior<\/strong>, apenas quanto aos bens situados no territ\u00f3rio nacional;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>O esp\u00f3lio<\/strong>, relativamente aos bens enquadrados nas hip\u00f3teses acima.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Trata-se, portanto, de um imposto pessoal, anual e diretamente vinculado \u00e0 titularidade patrimonial, com impactos diretos sobre estruturas de holding, planejamento sucess\u00f3rio e organiza\u00e7\u00e3o de ativos no Brasil e no exterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-orange-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-af34a6558b4442292d0b0fa41106ffee\"><strong>Al\u00edquotas progressivas e dedu\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O projeto adota um modelo de <strong>al\u00edquotas progressivas<\/strong>, variando de <strong>1% a 3%<\/strong>, conforme o montante do patrim\u00f4nio l\u00edquido:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>De R$ 10 milh\u00f5es a R$ 99.999.999,99<\/strong>: al\u00edquota de <strong>1%<\/strong>;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>De R$ 100 milh\u00f5es a R$ 199.999.999,99<\/strong>: al\u00edquota de <strong>2%<\/strong>, com parcela fixa a deduzir de <strong>R$ 1 milh\u00e3o<\/strong>;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Acima de R$ 200 milh\u00f5es<\/strong>: al\u00edquota de <strong>3%<\/strong>, com dedu\u00e7\u00e3o de <strong>R$ 3 milh\u00f5es<\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o texto autoriza a dedu\u00e7\u00e3o, do valor devido a t\u00edtulo de IGF, de tributos que recaem sobre os mesmos bens utilizados na base de c\u00e1lculo, especificamente <strong>IPTU, IPVA e ITR<\/strong>. A medida busca mitigar a cr\u00edtica de bitributa\u00e7\u00e3o patrimonial, embora n\u00e3o elimine totalmente o debate sobre cumulatividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-orange-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-2e25c017d9a155e592a454cee8d7bcc1\"><strong>Tramita\u00e7\u00e3o e desafios pol\u00edticos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de seu detalhamento t\u00e9cnico, o projeto ainda se encontra em <strong>fase inicial de tramita\u00e7\u00e3o<\/strong>. Por se tratar de <strong>lei complementar<\/strong>, sua aprova\u00e7\u00e3o exige <strong>maioria absoluta<\/strong> tanto na C\u00e2mara dos Deputados quanto no Senado Federal, al\u00e9m da <strong>san\u00e7\u00e3o presidencial<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Historicamente, propostas de IGF enfrentam forte resist\u00eancia pol\u00edtica e econ\u00f4mica, seja pela discuss\u00e3o sobre efici\u00eancia arrecadat\u00f3ria, seja pelo receio de fuga de capitais, desest\u00edmulo ao investimento ou aumento da litigiosidade tribut\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-orange-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-2fdda390079894af906d4adab39b3db5\"><strong>Impactos e reflex\u00f5es para o planejamento patrimonial<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo sem vig\u00eancia imediata, o PLP n\u00ba 05\/2026 reacende um debate relevante para empres\u00e1rios, investidores e fam\u00edlias de alta renda. A depender da evolu\u00e7\u00e3o do texto, o imposto pode influenciar decis\u00f5es relacionadas a:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Reorganiza\u00e7\u00e3o patrimonial;<\/li>\n\n\n\n<li>Estruturas societ\u00e1rias e holdings familiares;<\/li>\n\n\n\n<li>Planejamento sucess\u00f3rio;<\/li>\n\n\n\n<li>Localiza\u00e7\u00e3o de ativos no Brasil e no exterior.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Em um cen\u00e1rio de poss\u00edvel avan\u00e7o da proposta, o acompanhamento atento da tramita\u00e7\u00e3o legislativa e a an\u00e1lise preventiva de estrat\u00e9gias patrimoniais tornam-se fundamentais. O IGF, se aprovado, n\u00e3o representar\u00e1 apenas um novo tributo, mas uma mudan\u00e7a estrutural na forma como o Estado brasileiro se relaciona com grandes patrim\u00f4nios.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"647\" src=\"https:\/\/tafelliritz.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/site-TRA-13-1024x647.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1720\" style=\"width:522px\" srcset=\"https:\/\/tafelliritz.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/site-TRA-13-1024x647.png 1024w, https:\/\/tafelliritz.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/site-TRA-13-300x190.png 300w, https:\/\/tafelliritz.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/site-TRA-13-768x485.png 768w, https:\/\/tafelliritz.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/site-TRA-13-1536x971.png 1536w, https:\/\/tafelliritz.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/site-TRA-13-2048x1294.png 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A apresenta\u00e7\u00e3o do Projeto de Lei Complementar n\u00ba 05\/2026 trouxe novamente \u00e0 pauta do Congresso Nacional um tema recorrente, e sempre sens\u00edvel, no sistema tribut\u00e1rio brasileiro: a institui\u00e7\u00e3o do Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF). 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